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O que é design instrucional afinal de contas?

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O que é design instrucional afinal de contas?

Uma das primeiras coisas que pessoas que pensam em implementar Customer education pela primeira vez em suas empresas é descobrirem design instrucional e correm para consumir todos tipo de conteúdo e teorias para poder aproveitar-se dessas técnicas.

Mas o que é design instrucional afinal de contas? E o que eu posso e devo aproveitar para executar bem uma estratégia de Customer Education em minha empresa?

Vamos aprender aqui o que é design instrucional, quais são as principais teorias e como você deve aproveitar-se dos estudos em D.I. para o seu trabalho.

O que é design instrucional?

Um designer instrucional aplica metodologias estudadas e sistemáticas para melhorar o processo de instrução e de aprendizagem.

Todas essas metodologias são baseadas em teorias de instrução e modelos. Um profissional de design instrucional planeja e desenha conteúdos, experiências e soluções para aumentar a eficácia, eficiência e efetividade dos processos de ensino e aprendizagem.

Design instrucional também é chamado de engenharia pedagógica ou design educacional.

Geralmente, tudo começa com uma avaliação de necessidades e requisitos: o que se quer aprender e o que se quer desempenhar depois de aprendido? Então, os designers irão criar o conteúdo e pensar nos materiais, como plataformas de ensino, mídias, o conteúdo propriamente ditos, apresentações, etc.

Nota: apesar de ter “design” no nome, um designer instrucional não necessariamente entende de design gráficos – são áreas distintas. Mas não é incomum que eles tenham algum treinamento básico. Afinal de contas, provavelmente um profissional de DI irá criar apresentações, infográficos e afins.

O que um designer instrucional faz na prática?

Ele ou ela faz a pesquisa do que se espera aprender, qual o estado atual do público-alvo (os estudantes) e o que será necessário prover para preencher esse gap, entre o estado futuro desejado e o presente.

Um design instrucional então começa o planejamento: desde qual tipo de atividades que serão executadas, conteúdos a serem ministrados, formatos, mídias utilizadas e tecnologias que apoiarão a entrega. Em seguida, irá acompanhar a entrega, para certificar-se de que esteja no padrão de qualidade e, claro, que os objetivos esperados sejam alcançados.

Por fim, o profissional de design instrucional fará uma avaliação, seja direto com alunos, instrutores ou de desempenho geral para conferir se os objetivos foram de fato cumpridos. Assim, eles podem melhorar o próximo conteúdo com base nesse feedback. 

Como um designer instrucional pode ajudar no processo de Customer Education?

Contratar um designer instrucional para criar o conteúdo programático do curso ou para coordenar/supervisionar as gravações e entregas de conteúdos é muito, muito limitado. Enquanto, sim, eles podem trabalhar com isso, um designer instrucional tem uma mentalidade de pensar primeiro: o que preciso que o estudante faça e qual é a melhor maneira de entregar isso?

O ímpeto natural de empresas, seja departamentos de RH, enablement, marketing ou customer success, é mergulhar fundo em teorias, artigos e cursos livres de design instrucional e aplicar o modelo ADDIE para construir cursos.

O ponto mais importante de Customer Education é trabalhar o conteúdo – formato e qualidade. Um designer instrucional vai pensar no teu público-alvo e quais formatos seriam mais adequados para trabalhar com eles. Claro, levando em conta o que você já tem e quais meios de distribuição você possui.

É base de conhecimento, canal no YouTube dedicado, uma plataforma de cursos, notificações in-app, blog, ebooks? Além disso, um bom designer instrucional se preocupará em entregar valor muito rápido com altíssima qualidade. O que significa que provavelmente ele não montará um arcabouço de 300 horas de vídeo para daí lançar.

Um bom designer instrucional entende que é preciso entregar algo agora e testar – porque nenhuma teoria e planejamento sobrevive à vida real. Até porque o tempo para gravar e editar essas 300 horas para ensinar um software, por exemplo, significa que, no lançamento, o vídeo-tutorial já estará defasado.

Quais são as principais teorias e técnicas do design instrucional?

Agora que entendemos de forma mais macro quais as funções de um designer instrucional dentro do processo de Customer Education, vou repassar pelas técnicas e teorias principais. Se você tem interesse em aprender sobre design instrucional propriamente dito, eu tenho um outro blog focado nisso, com ênfase em pessoas que querem se tornar professoras ou implementar cursos dentro de suas empresas. Começar pelo processo de design instrucional, que não foge muito do modelo PDCA, mas claro adaptado ao nosso contexto. O processo tem as etapas de analisar, planejar, desenvolver, implementar e avaliar. A partir dessa premissa básica, alguns modelos conceituais que dão ênfase em alguma parte ou em outra, quebra um processo ou apaga outro, surgiram.

Teorias de aprendizagem:

Se você quer dar um mergulho rápido nas teorias de design instrucional, você precisa aprender alguns conceitos.

O primeiro é de objetivos educacionais. Não existe planejamento e criação de conteúdo sem você definir bem o que você quer que seu estudante aprenda. De forma sucinta, um objetivo educacional é o enunciado que declara o que é esperado daquele material. Ele pode ser focado para o estudante (se você quer convencê-lo a consumir o conteúdo) ou institucional (se é algo mais interno).

Com a finalidade de padronizar os objetivos educacionais, para que não sejam vagos e sejam passíveis de serem “conferidos”, criaram-se taxonomias. Existem várias organizações, mas a mais famosa é a taxonomia de Bloom. Ela cria um conjunto de verbos que podem ser usados como objetivos e o que pode ser esperado do seu aluno.

Agora que eu tenho objetivo, como eu entrego um conteúdo para facilitar o aprendizado? Para isso, temos a taxonomia de Gagné. Eu já criei um conteúdo lá no blog da Poly sobre a taxonomia de Gagné (meu estúdio de design instrucional) sobre como fazer planejamento de mídia. Esse blog é mais pautado para quem quer criar cursos de maneira mais abrangente. Essencialmente, Robert Gagné pareou os objetivos educacionais com práticas de instrução que permitem que os objetivos sejam alcançados.

Agora que você já sabe por que quer ensinar e como, chegou a hora do que ensinar. Para isso, entramos no tópico de criação do conteúdo mesmo. O conteúdo que eu recomendo você começar é mapeamento de atividades, no qual você irá descrever o que será ensinado, pautado no seus objetivos.

Eu sei, bastante coisa. Não tinha como ser diferente, estamos falando de uma profissão consolidada e que existe há décadas. Não espere que, em um post de blog ou curso livre de 1 hora, você aprenda tudo.

Modelos de planejamento de conteúdo:

Por isso, temos o modelo ADDIE, modelo de Dick e Carey, modelo SAM, mapeamento de Cathy Moore e prototipagem ágil. Cada vez mais temos visto publicações que aproximam o design instrucional do pensamento de metodologias ágeis. Se você buscar por livros sobre o tema, verá que a base toda é muito antiga; e tem algumas tentativas por entusiastas de inovação e design thinking em aproximar os mundos.

Não existe uma teoria melhor, cada uma aborda necessidades diferentes. Se você quer um modelo mais tradicional, robusto e completo, eu recomendaria o modelo ADDIE.

 

Para uma abordagem mais sucinta e prática, focada em ações pontuais, o modelo SAM é incrível.

 

Já para implementações sem compromisso, rápidas e de baixo custo, a prototipagem ágil te entregará pequenas doses de conteúdo rápido.

Livros sobre design instrucional para começar:

O que é design instrucional e como ele pode ajudar no meu processo de Customer Education?

Para encerrar, devemos pensar no designer instrucional como a pessoa que vai facilitar que seu público-alvo atinja os objetivos traçados – no caso de Customer Education, é perceber cada vez mais valor em seu produto ou serviço. Mas também de auxiliar a entrega desse conteúdo, por meio de teorias de instrução, planejamento de mídia e do uso correto da tecnologia.

É tentador, ao implementar a área de Customer Education, pensarmos num LMS robusto, inovador, criar uma base de conhecimento, ter tooltips no produto e encher o treinamento de onboarding de teorias de design instrucional.

Só que na verdade nada disso importa se você não sabe seu objetivo educacional, se tudo está interligado com uma estratégia com uma visão mais ampla do que somente a produção de cada conteúdo isolado e, claro, se não houver mensuração de resultados.


Por isso que, quando você se perguntar o que é design instrucional: é para isso, para amarrar todos esses conceitos e garantir a entrega coesa da sua estratégia de Customer Education.

Quem é Ivan Chagas

Ivan Chagas é polímata e professor online e presencial com mais de 6.000 alunos em três idiomas. Autônomo com um estúdio de design instrucional, ele trabalha educando clientes das empresa produzindo conteúdo educacional, roteiros, cursos completos e gestão de presença online, sempre com foco na educação e geração de novas oportunidades de negócio.

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